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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Das Perdas e Ganhos de Quem é Amor da Cabeça aos Pés.

Desde que nascemos passamos por perdas. Perdemos o aconchego do útero. Perdemos a proteção materna. Nós meninas vivemos o Complexo de Electra e os meninos os transtornos edipianos, segundo Freud. São as perdas necessárias, discutidas de forma competente e bela pela psicanalista Judith Viorst.

Sempre tive medo de perder, principalmente as pessoas que amo. Quando criança meu terror maior era a morte dos meus pais. E meu pai nos deixou quando eu tinha 25 anos. Nem preciso dizer que a dor foi lacerante, mas hoje eu o trago em mim.

Sofri um processo doloroso de separação 10 anos após. Perdi não só o marido, mas o namorado de adolescência e todas as idealizações românticas construídas durantes anos. Passei, então, a ter horror a perder o carinho de alguém.

Temia tanto a realidade que quando esta se tornava impossível de não ser vista, meu mundo perdia a cor. Sentia-me traída, usada, amputada no que eu tinha de melhor: a afetuosidade e a lealdade.

Porém, esse relato depressivo tem o sentido de mostrar que reagi e sobrevivi a todas essas perdas. Atravessei surtos de ansiedades, compulsão alimentar, chorei cachoeiras, vi minha auto-estima nos pés e meus sonhos viraram pó.

Pois bem, caí e levantei algumas vezes. Não sem raiva, não sem mágoa, não sem constrangimentos, não sem dor. Busquei e tive apoio, além da ajuda especializada.

Mas o melhor disso tudo é que todas as perdas vividas trouxeram-me um ganho em seu bojo. Só não vejo bem o que ganhei com a morte do meu pai.Quanto às demais sei exatamente o que ganhei.

Com o fim do casamento veio o amadurecimento, uma maior comprennsão da vida, experiência e, por mais incrível que possa parecer, harmonia familiar, pois criamos, eu e meu ex-marido, uma filha saudável, responsável, amada e feliz.

Perdi outros afetos. Perdi lindos sonhos de amor. Bebi ilusão e vivi disso por muito tempo. Amei muito e igualmente sofri.

Rompimentos amorosos me deprimem. O medo da solidão me paralisa. Porém saber que posso sobreviver à perda do parceiro idealizado por mim, reforça a minha fé na vida.

Eu poderia dizer que virei mulher e deixei de ser menina, mas o processo ainda não terminou. Continuo amadurecendo.Às vezes sou um mulherão, em outras uma menina mimada.

E o melhor de tudo: começo a perceber claramente que ao me relacionar com o outro passo a me conhecer melhor. Sei mais hoje sobre os meus limites, do que sabia antes. Sei até onde posso fazer concessões. Não me envergonho de chorar por amor, porém discordo com convicção quando a proposta vai além da minha vontade.

A solidão me ronda, mas não me assusta como antes. Vou juntar tudo de bom que vivi. Lembrar de cada "eu te amo" que ouvi e que falei (adoro falar), de cada beijo, de cada encontro, de cada olhar, de cada vez que vibrei de prazer e de paixão.

No mais, continuarei romântica e tenho certeza de que como toda mulher “mereço rosas, rosas, rosas...", como canta Ana Carolina, pois ainda "sou amor da cabeça aos pés".

domingo, 27 de janeiro de 2008

Quarenta e Seis?


A vida é um um ir e vir de emoções e acontecimentos. Se um dia desço corredeiras com frio na barriga e coração a mil, em outros subo dunas de areias escaldantes. Ambas as experiências são fascinantes ao final. Se a correnteza me carrega e sobrevivo, valeu a adrenalina. Se suporto a subida com a terra a queimar meus pés, fascino-me com a conquista do topo e a sua visão estonteante. Se sou ferida por almas portadoras de sentimentos menos nobres, sou salva pelos abraços dos que me amam. Se levo uma rasteira, sempre tem um anjo pronto para me levantar.
Reflexões de quem faz 46 anos e nem sabe o que isso significa. Não sei como me comportar, pois não mudou nada em meu íntimo de ontem para hoje. Comtinuo a mesma mulher por vezes madura e sensata a aconselhar amigos, em outras completamente levada por emoções adolescentes. Ter quarenta e seis anos é já ter vivido muitas experiências, mas desejar viver muitas mais. É já ter lido muito, mas ainda ter muito a aprender. É ter uma filha mulher e uma mãe ainda em forma (graças a Deus!). É ter amado e não se contentar apenas com as lembranças. É também ter amigos de infância com a idade regulando com a nossa, mas ir fazendo amigos novos, alguns com mais idade e outros com menos do que nós.
É conhecer novas formas de viver e de gostar. É quebrar tabus e romper preconceitos. É principalmente viver sem dar muita bola para as convenções impostas, mas saber usar o que aprendeu nas idas e vindas pelos corredores da vida. É saber que não se pisa no pé de quem lhe foi gentil, mas se acontecer, saber pedir perdão e não voltar nunca mais a machucar nem pé, nem coração.
É ainda aprender a viver largando medos e mudando de idéias sempre que outra pareça mais interessante. É perdoar, sim, mas não deixar que abusem do perdão. É subir ladeira e descer corredeira, tentando melhorar a cada dia.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Metrossexual.

Metrossexual é o homem heterossexual urbano que dá excessiva ênfase à estética pessoal. Esse novo homem é visto cada vez mais a partir dos anos 90 e tem no jogador de futebol britânico David Beckham o seu representante entre as celebridades internacionais. É perceptível a mudança.

Os homens assumem a vaidade com a aparência física e alguns até a expõe com certo orgulho. Nada contra. Ao contrário, e não conheço mulher que não goste.

Adoramos homens perfumados e bem vestidos. Achamos charmosa aquela preocupaçãozinha com o cabelo e a barriguinha de chope. A prática de exercícios físicos para se manterem saudáveis é elogiável.

Que bom que eles estão se cuidando mais! A aparência não é tudo, disso eu não tenho a menor dúvida, mas não deixa de ser importante e fico feliz ao ver a transformação na atitude de parte da população masculina.

Contudo, na minha opinião, há de ser contido um certo exagero. Qualquer um faz o que quer com seu corpo, mas têm coisas que a mim soam como desnecessárias.

O que leva um homem a fazer as sobrancelhas? É certo que o contorno das sobrancelhas num rosto feminino tem um efeito bacana, mas homem de sobrancelha desenhada tem o efeito oposto. O olhar masculino requer um ar mais forte, mais viril. Um quê de selvagem. Sei que há uma certa pressão dos consultores de beleza, mas fujam desse mico doloroso! Não precisa adotar o visual Brizola, claro: uma aparadinha vai bem, nesse caso, porém não mais que isso.

E a depilação do tórax, então? Pelo amor de Deus, não se submeta a essa tortura, a não ser que você seja um nadador de alta competitividade. Homem tem mais pêlos sim e essa diferença entre nossos corpos é fundamental. Toni Ramos vem mantendo seu posto de galã há anos na televisão brasileira a despeito do seu excesso de pelos. Concordo que não seja o ponto forte dele, mas não compromete sua beleza.

Cremes são admissíveis. A pele masculina merece tanto cuidado quanto à feminina, porém cuidado para não ficar dependente de uma nécessaire cheia de potinhos, que pode afetar sua imagem masculina. Preconceito? Talvez, mas estou sendo sincera.

Plástica para corrigir pequenos defeitos estéticos é um direito. Quem se aflige com algum probleminha desse tipo e pode fazer a correção aproveite. Mas, se você quer manter sua aparência máscula, não arrebite o narizinho. Esse tipo de cirurgia plástica costuma deixar dúvidas sobre a identidade sexual do homem às vistas de todos. Desvio de septo, tudo bem; nariz arrebitado de plástica, nunca!

O zelo com as unhas é necessário. Unhas descuidadas são terríveis, mas o esmalte, ainda que incolor, é dispensável. Freqüentar manicuro e pedicuro demonstra asseio e modernidade, mas não é obrigatório: você pode fazer em casa e nós não notaremos a diferença.

Tenho certeza que o metrossexual não é gay, mas o exagero pode confundir e se vocês não desejam apenas ser, mas também parecer ser heterossexuais cuidem-se, porém não se excedam.

Assim como nas mulheres, os excessos com a aparência podem encobrir uma baixa auto-estima ou deixar de priorizar outros aspectos que nos fazem seres humanos inteiros.

É fundamental para nós, homens e mulheres, alimentarmos a mente e o espírito para que não nos tornemos belas esculturas sem a essência da humanidade que nos torna semelhantes ao criador.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Enquanto você não vem.

Enquanto você não vem, decidi cuidar de mim. Esperar sentada é acumular frustrações a cada expectativa desfeita. Contar as horas é um exercício torturante, para quem aguarda.

Tentar me distrair também não ajuda tanto: entre uma distração e outra, há espaço para a ausência se instalar.

Não aboli os passatempos, mas optei por olhar para mim e cuidar da minha realidade.Sou alguém sem você. Alguém que pensa, sofre, ri, lê, aprende e cresce.Descobri que a realidade está aqui, ainda que você não esteja. Meu mundo é real e tudo a minha volta existe, apesar de você.

Tenho fantasmas a enterrar, dores a curar, vida a viver.Pensar apenas em você não sanará minhas dores.Sou eu quem tem que tratá-las, ou pelo menos tentar.Preciso encarar meus medos e abrir minhas chagas, se tiver coragem de fazê-los, pois a coragem nem sempre se encontra em mim.

Tenho que ganhar a vida, tenho que tratar meu corpo afetuosamente, tenho que alimentar meu espírito.

Por isso, recebo o carinho do sol no meu corpo quando caminho na praia olhando o mar e o horizonte. É a minha visão do mar e não preciso de você para isso.Leio meus livros com prazer e esse como todos os deleites que disponho são meus e não dependem de você.

As músicas que ouço lembram você, mas o gozo que agracia meus sentidos é meu. A conversa com amigos, as risadas, os abraços e o calor da minha família também podem ser vivenciados por mim com alegria, apesar de sua ausência.

O pranto da saudade ou de dor é a minha maneira de desafogar o peito quando comprimido pela dor. As linhas que escrevo põem em ordem minha bagunça emocional.E cuido de mim, assim, enquanto você não vem.

Quando você chegar estarei bem, graças a minha decisão e a Deus.Partilharei com você todos os momentos vividos e serei melhor para você. Se você não vier, vou sofrer, mas estarei íntegra, pois não deixei uma parte da vida à mercê de você. A memória dos nossos momentos está aqui e é parte de mim.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Mulher Madura


Esse texto foi sugerido por uma amiga, mas o escrevo com muita propriedade, pois o tema é meu também, afinal sou uma mulher madura e descasada, como ela. Fique claro que vou discorrer sobre a vida da mulher de quarenta (um pouco mais, um pouco menos).
Há muitas teorias, muitos mitos sobre a mulher madura. Há estereótipos e é aí que a coisa pega.Se a gente se fixar no que dizem as revistas femininas e outras publicações que tratam do assunto superficialmente, sente-se péssima. As comparações para melhor ou pior sempre afetam nossa auto-estima.
O fato é que convivemos com coisas boas e más, como em todas as idades. Quem tem quarenta anos hoje, já teve quinze, vinte e trinta. Em cada fase conviveu com problemas e alegrias. Encontros e desencontros.
Sofri às vésperas dos trinta e mais ainda às portas dos quarenta.Sofrimento inútil. Não havia um perigo na esquina da quarta década, como meus medos avisavam.Vivi preocupações motivadas pelo mito do fim da juventude, como se esta se esvaísse de um dia para outro. Como se nossos encantos sumissem de repente.Nada disso acontece assim, como se fosse maldição.
O culto à juventude não afeta apenas as mulheres, mas a nós atinge com mais crueldade, todavia vivo muitíssimo bem aos quarenta e poucos anos.Sou hoje uma mulher muito melhor do que fui aos vinte, ainda que alguns não achem isso, com base na aparência.Triste engano! Triste para quem pensa assim e não para mim.
Hoje ainda tenho dúvidas e inseguranças, mas já tive muito mais.Se perdi a inocência, não posso culpar a idade. Isso é amadurecimento!
Ah, aí vem mais um mito: o amadurecimento feminino assusta os homens.E daí, cara pálida? Vou fingir ser insegura para ter alguém fraco ao meu lado? Assumo minhas falhas, mas não as que já superei.Hoje sei mais sobre a vida do que sabia ontem. Saberei mais amanhã, se Deus quiser.
Assim, meninas, vamos vivenciando as delícias da maturidade: usufruindo a possibilidade de fazermos coisas que não podíamos fazer antes, usando o charme que a experiência nos concedeu e dispondo da sabedoria adquirida com a vida.
E não nos deixemos enganar: continuamos tão gostosas como antes ou até mais.Resta encontrar alguém especial que reconheça isso. Se acontecer será ótimo, se não, ainda teremos muito a desfrutar.

Evelyne Furtado, 04 de fevereiro de 2007.