domingo, 27 de janeiro de 2008

Quarenta e Seis?


A vida é um um ir e vir de emoções e acontecimentos. Se um dia desço corredeiras com frio na barriga e coração a mil, em outros subo dunas de areias escaldantes. Ambas as experiências são fascinantes ao final. Se a correnteza me carrega e sobrevivo, valeu a adrenalina. Se suporto a subida com a terra a queimar meus pés, fascino-me com a conquista do topo e a sua visão estonteante. Se sou ferida por almas portadoras de sentimentos menos nobres, sou salva pelos abraços dos que me amam. Se levo uma rasteira, sempre tem um anjo pronto para me levantar.
Reflexões de quem faz 46 anos e nem sabe o que isso significa. Não sei como me comportar, pois não mudou nada em meu íntimo de ontem para hoje. Comtinuo a mesma mulher por vezes madura e sensata a aconselhar amigos, em outras completamente levada por emoções adolescentes. Ter quarenta e seis anos é já ter vivido muitas experiências, mas desejar viver muitas mais. É já ter lido muito, mas ainda ter muito a aprender. É ter uma filha mulher e uma mãe ainda em forma (graças a Deus!). É ter amado e não se contentar apenas com as lembranças. É também ter amigos de infância com a idade regulando com a nossa, mas ir fazendo amigos novos, alguns com mais idade e outros com menos do que nós.
É conhecer novas formas de viver e de gostar. É quebrar tabus e romper preconceitos. É principalmente viver sem dar muita bola para as convenções impostas, mas saber usar o que aprendeu nas idas e vindas pelos corredores da vida. É saber que não se pisa no pé de quem lhe foi gentil, mas se acontecer, saber pedir perdão e não voltar nunca mais a machucar nem pé, nem coração.
É ainda aprender a viver largando medos e mudando de idéias sempre que outra pareça mais interessante. É perdoar, sim, mas não deixar que abusem do perdão. É subir ladeira e descer corredeira, tentando melhorar a cada dia.

4 comentários:

Capitão-Mor disse...

Parabéns mais uma vez!

Evelyne Furtado disse...

e mais uma vez obrigada pelo carinho, Capitão.
Abraço.
P.S. Viu como estou tentando entender a idade nova?

AnadoCastelo disse...

A menina tem o dom de expressar aquilo que eu penso e sinto. Engraçado. Mas cada vez que nos aproxiamamos dos cinquenta anos começamos a pensar e a ver as coisas de maneira diferente. Não é uma mudança brusca, é uma mudança lenta que só nos apercebemos quando lá chegamos. E a Evelyne vai notar isso. Não sei se já, mas vai notar concerteza.
Um beijinho querida e um resto de óptima semana

Evelyne Furtado disse...

Oi, Ana!
O que me faz mais feliz em escrever é saber que expresso sentimentos e idéias de outras pessoas.
Quanto à mudança, acho que já começo a sentí-la.
Beijos