segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Indefinição.


Você é o encontro do primeiro casal. É o choro, o berço e a mão que me ergueu do chão. Você é ternura e secura, abrigo e abandono, lar e rua. Você é esboço e arte pura.Som de gaivotas, norte, proximidade do mar. Você é o amor e o avesso. Dono e posseiro. Descuida e cuida. Luz e breu. Mel e sal. Leite derramado. Fome e desperdício. Você é manhã, tarde, noite e insones madrugadas.Você é tempo bom, é frio, é calor, é (meu) vento brando. Você é tempo desigual. Você é o que olha, é, também, quem lhe olha e o olhar que o ignora. Intensa presença em dolente ausência, você completa e desfalca. Põe e tira. Acalma e desassossega. Arranha e sopra. Chega e sai. Você é instinto e civilização. Memória e esquecimento. Desejo e solidão. Sonho e cotidiano. Mocinho e bandido. Herói ancestral. Você é Eros e Tânatos. Tantos. Múltiplas vontades, vagas possibilidades. Você é céu de brigadeiro e marcas de pneus na minha estrada. Rio que corre devagar. Você é mar aberto, âncora e vaporoso cais.

3 comentários:

Drika disse...

Oi Evelyne... somos tudo isso mesmo. Hoje pensei em tanta coisa que fiz, faço... coisas opostas moram aqui dentro. Incrível essa mistura toda 'caber' dentro da gente...

Abraço no coração!

Dolce Vita disse...

Olá Evelyne!

Belíssimo! Tantos sentidos captados pelo teu olhar!


Bjs

Dolce
P.S.: Tua mais recente crônica no RL é magnífica! Bom demais ler-te!

Evelyne Furtado. disse...

Pois é, Drica, já é alguma coisa perceber essa indefinição. Bjs e obrigada.

Dolce, é sempre um prazer receber sua visita aqui e lá ( onde estou postando em atraso) . Agradeço muito. Beijão