segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Quando a Terra Tremeu.


Enquanto pensava sobre o que escreveria a terra tremeu por aqui. Não senti, confesso, mas o apresentador do jornal da TV local sentiu e não disfarçou.

Não sei bem a razão pela qual não percebi o que aparentemente todos perceberam, mas desconfio: meus pés não estavam no chão, a minha cabeça estava muito longe e o tremor foi rápido.

Dei graças pela rapidez e pequena intensidade do tremor de terra. Mas tenho que tomar providências rápidas quanto à tendência a me perder em abstrações.

Deixo com a natureza o que é dela, esperando que a acomodação da terra se dê com suavidade e sem maiores transtornos. De minhas acomodações cuido eu com o máximo de respeito também.

De volta ao solo, dou passos aliviados, porém cautelosos em direção ao futuro, nesse janeiro quente como Deus quer.

A cidade só tremeu um pouquinho; eu já tremi com mais intensidade, por isso todo cuidado é necessário.

2 comentários:

Nei disse...

Que beleza de crônica. O tremor e a abstração, o terremoto e a crônica, a percepção mediada pela palavra. Parabéns!

Evelyne Furtado disse...

Você valorizou meu escrito, Nei. Obrigada.