domingo, 8 de fevereiro de 2009

MOTIVO.





Há dias penso em escrever sobre a efemeridade. Ainda tento lidar com a fugacidade da beleza, da alegria e dos encontros felizes.

Indago, divago, invado-me, procuro motivos e ainda não cheguei ao meu texto, simplesmente por não aceitar totalmente a impermanência do que me é aprazível, ou simplesmente confortável.

A vida, indiferente à minha vontade, ensina. Não me furto ao aprendizado. Já sei quando não há alternativas às mudanças. Já treino outros passos; outros caminhos.

Porém, ainda bato pé como criança em algumas ocasiões. Inquieto-me e todas as minhas inquietações levam-me à completude de Cecília Meireles, que cedo aprendeu a lidar com o efêmero.

Enquanto não encontro as minhas próprias respostas faços de seus versos e verdades o meu canto.

Motivo

Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste: sou poeta.
Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias no vento.
Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei.
Não sei se fico ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo: — mais nada.


Cecília Meireles.

2 comentários:

Laura disse...

Eu vou esperar por esse texto teu...tenho certeza q quando ele chegar vai refletir muito do q eu tb me pergunto sobre o efêmero.
Essas as vantagens de ter amiga escritora! :-)

beijo e abraço Vequi querida!!
fazia muito q nao tinha tido tempo para estas leituras por puro prazer!!

Evelyne Furtado disse...

Laurita!
Que bom receber você!
Ando amadurecendo esse tema, que Cecília Meireles passeia por ele com tranquilidade em sua obra. Escolhi esse poema, mas existem outros lindos.
Vamos trabalhando nisso.
Beijão, minha amiga!