segunda-feira, 19 de maio de 2008

Senhora Dona do Baile.


Talvez o fato mais importante na vida da escritora Zélia Gattai tenha sido casar com Jorge Amado. Na visão dela, claro. Eles eram apaixonados e viveram cinqüenta e seis anos juntos. Durante a maior parte de sua vida Zélia assessorou Jorge. Ela revisava e datilografa seus textos e até dirigia para o escritor.
Então Zélia começou a escrever as suas memórias aos 63 anos. E passamos a conhecer Zélia, sua família italiana, Lalu, a sogra engraçada, James e Joelson, irmãos de Jorge, João Carlos (filho de seu primeiro casamento), Paloma e João Paulo, seus filhos com Jorge.
A rica vida de Zélia Gattai foi sendo narrada a partir de Anarquistas, Graças a Deus, livro onde ela relata sua infância e adolescência em São Paulo, bem como as alegrias e as dificuldades da família italiana, principalmente depois que o Brasil juntou-se aos aliados na Segunda Guerra Mundial.
Em Um Chapéu para a Viagem, começa a aventura de Zélia e Jorge pelo mundo. Jorge, o deputado comunista vai ao exílio e Zélia com ele. Amei conhecer através das memórias dela, Paris, Praga, União Soviética e tantos outros paises, alguns que nem lembro agora.
Também adorei os relatos da amizade do casal com Pablo Neruda, Sartre, Simonne, Caribé, Picasso entre outras personalidades.
A Senhora Dona do Baile, volta ao Brasil e continua sua vida ao lado do escritor mais célebre do Brasil: "Jorge", seu amor maior.
Li com uma doce gratificação as memórias de Zélia Gattai. Vibrei com sua eleição para ocupar a vaga do marido na Academia Brasileira de Letras, ainda que metidos intelectuais a esnobassem.
Zélia contou e contou muito bem a vida de dois grandes escritores, descrevendo com precisão o cenário mundial da época em que viveram.
Quem leu A Casa do Rio Vermelho e Código de Família, sentiu-se íntima da família Amado. Descobriu que Zélia e Jorge adoravam as novelas das oito, por exemplo. Que tinham hábitos comuns e que se amavam muito.
Zélia era uma simpatia. Eu gostava de ler Zélia tanto quanto adorava ouvir suas entrevistas. Era um prazer ver aqueles dois juntos.
Jorge morreu e Zélia morreu um pouco com ele, mas ainda teve fôlego para terminar a obra conjunta, embora literariamente diferente. Morro de saudade dos dois,mas os livros deles estão aí para releituras e matarmos a saudade.
Eles? Estarão juntos no jardim da casa do Rio Vermelho, em Salvador, e quem sabe em outra vida, pois , segundo Paloma , filha dos dois, seu pai repetia sempre que " o seu materialismo não o limitava".

3 comentários:

AnadoCastelo disse...

Zélia nunca li, mas Jorge Amado sim, ainda me lembro dos "Capitães da areia", da "Teresa Batista cansada de guerra" e por aí fora. E espero ainda um dia vir a ler, claro.
Beijinhos querida

Lord of Erewhon disse...

Gostei do detalhe. É evidente que a tua vivência mais próxima teria que produzir algo mais humano e terreno que a abordagem mítica do meu poema.

Gostei muito.

Evelyne Furtado disse...

ANINHA, VALE MUITO À PENA LER.


LORD, MEU TEXTO É QUASE ÍNTIMO O SEU POEMA É BELO.
OBRIGADA.