sexta-feira, 25 de abril de 2008

Nem Tudo Foi Sonho.

A campanhia do celular atravessou o sono. De longe alguém me tirava daquele torpor. Eu havia apagado ao chegar em casa. Tomara dois drinques a mais. E para mim duas doses de whikey significam duas doses a mais. Eu detestava ultrapassar meu limite de teor alcoólico, pois morro de medo de ressaca.
Não queria acordar, mas também não consegui ignorar o telefone que continuava a me chamar. Atendi. Era ele. Sentei na cama, como se isso me fizesse ouvir melhor. Em vez de simplesmente dizer "alô", perguntei as horas. Mas o que se pode querer de alguém que desperta de súbito no meio da noite?
Ok. Não era tão tarde. Isso eu lembro. Mas sem exatidão. Aliás, na minha memória nada está nítido.
Conversamos sobre algo que nos unia, mas não queiram que eu diga o assunto, pois não recordo bem e não vou falar do que não tenho certeza. Eu só tenho certeza dos dois John Walker e do Dramim que tomei antes de apagar.
Claro que lembro de tudo que ocorreu antes, mas nada depois. A não ser da penumbra, de que havia uma tela com pinturas indianas, de que uns tecidos diáfanos cobriam o teto. E que estendi a mão para o homem que fumava sentado na poltrona e ele segurou a minha mão. Acho que a penumbra era formada pela fumaça dos nossos cigarros.
Ainda tenho uma vaga lembrança de que todas as nuvens choveram sobre nós naquele dia. E de que nosso carro era anfíbio. E de que ele era um príncipe hindu, que a gente se falava num diálogo quase ininteligível, mas, que me dava uma sensação ótima.
Ah, eu recordo que o combinado dera certo e que rimos aliviados depois. Era sobre isso que conversávamos ao telefone: repetindo, repetindo, repetindo...
Não sei como desliguei o celular e voltei a dormir. Levantei com aquele sentimento de quem teve sonhos bons. Trabalhei bem-humorada e na hora do almoço, na praça de alimentação do shopping o telefone tocou. Pelo menos "ele" era real (não tinha nada de hindu) e me falava com aquela ternura meio contida, que eu gostava nele.
Com o barulho que fazia no local, quase não entendi nada, mas gostei de falar com ele. Nem tudo tinha sido sonho.

Evelyne Furtado

4 comentários:

AnadoCastelo disse...

Olá, temos passarinho novo na gaiola ou foi só sonho? Desculpe querida, não tem de responder. Só desejo é que seja muito feliz.
Jokinhas

Evelyne Furtado disse...

Oi, Ana!
Também escrevo ficção,rs. Nem sempre sou eu a protagonista. Apenas escrevi na primeira pessoa dessa vez.
Beijos

Capitão-Mor disse...

Quase que senti o cheiro do curry! Ah,ah,ah!

Evelyne Furtado disse...

Olá, Capitão!
Você gosta assim de curry? Não lembrei de temperar o texto, rsrs
Grata pela visita!