domingo, 15 de junho de 2008

Amor bom é aquele que me faz feliz


... ou de Cazuza, Clarice e Piazola).

Teimosa. Voluntariosa. Impulsiva. Podem usar qualquer desses adjetivos ao se referirem a mim. Sou tudo isso e mais. Faço uma pausa no repouso imposto por recomendação médica, pois preciso dizer algumas coisas.

Passei uma semana viajando e vivendo "out - net," essa expressão foi inventada agora, por mim ou já existe? Não sei. Mas sei que vi coisas belas, ri muito , comi bem, conversei, corri levando pesadas sacolas que me deixaram seqüelas na coluna cervical, "hablei muchismo", tomei vinho e me emocionei.

Sem tempo para fantasias, saudades, dores. Vivi apenas. Um dia de cada vez, com sol e com frio congelante, eu vivi. Pela primeira vez em muitos meses eu passei dias sem relembrar mágoas.

Apenas brindei à vida e aprendi que preconceito se vence quando conhecemos a verdade e, por exemplo, descobrimos um povo simpático naquela gente que considerávamos, de longe, arrogante. Eu comemoro cada vez que rompo preconceitos.

Porém o que me traz aqui é a saudade que agora me vem com força. Saudade de escrever. Saudade de falar com vocês. Saudade de dizer coisas bobas, mas verdadeiras.

Por isso a teimosia: quero falar que adorei ler lindos textos novos no Recanto, como amei ler as mensagens de carinho na minha escrivaninha. Afinal há muito amor nas linhas e entrelinhas por aqui.

Quero falar que amei, que amo e que quero amar mais. Preciso afirmar que não odeio você que me deixou esperando, porém quero pedir que você não me tenha rancor por eu conseguir sobreviver sem você, pois dei tudo que podia para que juntos vivessemos o nosso amor por mais sessenta e quatro anos conforme você me prometeu um dia.

Quero repetir, apesar de você bem saber, que fui verdadeira do começo ao fim e que ainda me dói não ter sua amizade, mas que posso viver assim.

Não custa repetir para você e para mim mesma até, que me atrai um amor inventado, lembrando Cazuza e Clarice Lispector, contudo hoje eu amo a mim mesma, com minhas imperfeições e qualidades reais. Quando me amo assim, não posso me permitir que me amem menos do que mereço.

Agora chove em Natal, o Brasil joga contra o Paraguai ( perde de 1x0) e eu ouço Adios Nonino de Astor Piazolla, lembrando que amor bom é aquele que me deixa feliz.

Evelyne em 15 de junho de 2008.

2 comentários:

Laura V. disse...

"He renunciado a ti, y a cada instante renunciamos un poco de lo que antes quisimos
y al final, ¡cuantas veces el anhelo menguante pide un pedazo de lo que antes fuimos!

Yo voy hacia mi propio nivel. Ya estoy tranquilo.
Cuando renuncie a todo, seré mi propio dueño;
desbaratando encajes regresaré hasta el hilo.
La renuncia es el viaje de regreso del sueño..."

Vequi, como diz este poema, nada melhor que dar-nos conta que é tempo de renunciar àquilo que acreditamos um sono e nao era mais que a nossa própria fantasia.

Baires continua gelada...ainda mais sem teu riso franco e contagiante!

Evelyne Furtado disse...

Verdade, amiga! Sou uma sonhadora de carteirinha, mas estou aprendendo a ser feliz renunciando aos sonhos que não se realizam nunca. Adorei Baires, por isso ri tanto... De vc eu já gostava muito e agora gosto mais ainda, do povo portenho passei a gostar e vi que a rivalidade só acontece no futebol, embora minha pátria tenha tirado as chuteiras e desaprendido a jogar, rs.
Beijos enormes e obrigada pelo lindo poema.