segunda-feira, 18 de junho de 2007

Carta a Sylvinha.


Você chegou pequenininha nessa família de mulheres especiais. Choramos juntas quando nos vimos pela primeira vez e continuamos chorando por uns dias até que eu me sentisse digna de cuidar de você.
Fui te amando mais a cada dia. E chegava a doer esse amor. Não fui mãe convencional, mas dei o melhor de mim para você. Alimentei-te com o melhor prato que pude fazer. O único que fiz com perfeição.
Fui crescendo com você. Deixando de ser menina à medida que você tinha uma febre, uma gripe, uma doença comum às crianças. Você foi uma menina saudável, graças a Deus, mas passei algumas noites acordadas vigiando o seu sono, medindo sua temperatura, aliviando sua respiração com nebulizações (lembro de me fechar no banheiro com o chuveiro quente ligado, enquanto te mantinha nos braços, com o peito untado de Vick, para melhorar sua tosse).
Você menina, me deu pouquíssimo trabalho e continuou assim, inclusive na adolescência. Foi fácil educar você. Difícil era não me emocionar quando você participava de qualquer apresentação no colégio. O meu choro era incontrolável quando via a minha menininha linda exibindo seus talentos.
Nunca precisei ser enérgica com você, meu amor, mas houve uma dor que lhe causei -não diretamente- e que ecoou em mim por muitos anos, apesar de ter a sensação de que você havia se tornado mais feliz desde então. Uma tarde, você ainda adolescente disse com todas as letras que tínhamos acertado naquela decisão: você tinha uma família feliz.
O amor é incondicional e constante. A admiração só tem aumentado.Ontem uma coisinha linda a nos alegrar; hoje uma mulher decidida, organizada, inteligente e responsável. Permito-me babar quando elogiam seu trabalho, sua determinação, sua garra. E o melhor é que você não perdeu a doçura e a ternura de menina.
De repente a minha cria afia as asas e dá seus primeiros vôos solos. Está preparada, eu sei. Dá uma lição de independência e eficiência na mãe mimada que aplaude e se emociona. Bons, vôos, minha flor, mas volte logo porque ando com saudade de você.

Evelyne Furtado, em 18 de junho de 2007.

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